Energia maremotriz e seu potencial de produção energética no Brasil

De acordo com especialista, Brasil poderia receber usinas de energia maremotriz suficientes para gerar 87 gigawatts

A energia maremotriz tem grande potencial de produção energética. Sozinha, ela pode atender às necessidades elétricas de cerca de 250 milhões de consumidores em todo o mundo.

Embora muitas pessoas não conheçam, é uma fonte alternativa de energia limpa, renovável e pode contribuir muito para a preservação do planeta. Convido você a saber mais sobre o assunto neste artigo.

 

O que é energia maremotriz?

Energia maremotriz ou energia das marés é aquela obtida por meio do movimento das correntes marítimas, das altas e das baixas das marés. Portanto, ela pode ser convertida em energia elétrica por meio de barragens, eclusas ou unidades de geração de energia.

Esse modelo ganhou destaque nos últimos anos em decorrência da busca intensa do ser humano por novos recursos para produzir energia de forma mais eficiente e, principalmente, sustentável e renovável.

Segundo dados de uma pesquisa de Tauane Karine Baitz da Silva, aluna de graduação do curso de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi no Programa Unificado de Bolsas da USP, os 9,2 mil quilômetros de extensão litoral no Brasil podem receber usinas de ondas suficientes para gerar 87 gigawatts.

Desse total, cerca de 20% poderiam ser convertidos em energia elétrica, o que corresponde a, aproximadamente, 17% da capacidade total instalada no País.

 

Como a energia maremotriz é gerada?

Basicamente, o sistema de produção de energia das ondas se parece com uma hidrelétrica. Para isso, há a construção de barragens próximas ao mar e diques que captam a água durante as altas da marés.

A água que vai se armazenando nos reservatórios passam por turbinas que, a partir do movimento, geram energia elétrica.

Diferente do que se imagina, já se utiliza a força das marés desde o século XI, quando os ingleses tiveram essa ideia para movimentar pequenos moinhos. No entanto, o primeiro projeto para a geração de eletricidade é de 1967 quando franceses construíram uma barragem no Rio Rance.

 

Existe a possibilidade de produzir energia maremotriz no Brasil?

Há, pelo menos, duas décadas fala-se sobre a importância de as nações investirem em energia sustentável. Atualmente, no Brasil, duas delas estão na frente: parques eólicos (9,09%) e fontes solares (1,27% da matriz energética do País.

Porém, há a possibilidade de obter energia das marés considerando a grande extensão do litoral brasileiro. Como o Brasil é especializado em construções oceânicas como as plataformas de gás e petróleo, as turbinas para geração de energia elétrica a partir do movimento das marés é uma alternativa viável.

Embora a construção seja mais cara que a de parques eólicos, oferece uma dimensão potencial de 9,2 mil quilômetros, de acordo com especialistas.

“Ao contrário da energia eólica, que depende dos ventos, e da solar, que depende da incidência de luz, com a energia das marés nós podemos prever com exatidão a geração de energia. Além disso, enquanto o Sol, a Terra e Lua circularem entre si, será possível gerar energia dessa forma”, afirma o professor do Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica da USP, Gustavo Assi.

No Brasil, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu um protótipo no Porto de Pecém, no Ceará, entre 2012 e 2015, para monitorar e aperfeiçoar a tecnologia patenteada pela própria universidade. Foi a primeira produção de geração elétrica a partir das ondas do mar na América Latina, a partir de um protótipo em escala real.

 

Qual é a principal vantagem de apostar nesse tipo de energia?

A princípio, a maior vantagem ao utilizar esse tipo de energia é que ela não é poluente e renovável. Além disso, é uma excelente opção para locais com limitação na geração de energia elétrica por outros meios.

Do mesmo modo, a energia maremotriz não depende do clima como acontece, por exemplo, com a energia solar, eólica e hidrelétrica.

Porém, é importante lembrar que embora seja uma fonte de energia limpa e renovável, seus custos são altos, tanto para construção e desenvolvimento quanto para manutenção.

O ideal, ao utilizá-la, é associar à produção energética outras fontes como a eólica e a solar para aumentar a capacidade de produção e, também, a matriz energética disponível.

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